quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Lia Spósito em IAURETÊ


Fotografia (Bira Reis): Lia Spósito é responsável pela Direção Geral e Adaptação do espetáculo IAURETÊ

Fotografia (Henrique Lira): Lia Spósito

                                                    
Fotografia (Henrique Lira): Ana Sacramento e Lia Spósito em "Usura Corporation" - Palmares Iñaron (1978)

IAURETÊ marca o cruzamento de um dos maiores escritores brasileiros da história, com um dos mais importantes antropólogos da América Latina. Assim, Guimarães Rosa e Darcy Ribeiro se encontram na livre adaptação que reúne o conto Meu Tio O Iauaretê (Guimarães Rosa), a obra literária Maíra (Darcy Ribeiro), além de trechos de depoimentos registrados na assembléia de índios realizada em Merurí – Mato Grosso em meados da década de setenta e ainda, textos atuais de denúncias indígenas. A responsabilidade desta iniciativa fica por conta da diretora teatral Lia Spósito que além da adaptação, assume a direção geral do espetáculo IAURETÊ.

Lia Spósito é natural do município de Candeias/BA e sua descendencia afro-indígena está impressa tanto em seus traços fenotípicos, quanto em sua trajetória artística, educacional e ideológica. Graduada em Direção Teatral (1988) e Licenciada em Teatro (1995) na Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia - UFBA e Pos-Graduada em Relações Étnicas e Raciais, Lia desenvolve ao longo da sua caminhada uma experiência que marca a constituição do Movimento Negro Baiano, a formação do Grupo de Teatro Palmares Iñaron, a realização de importantes espetáculos teatrais e a determinancia de ações artístico-pedagógicas de educação popular na Escola Profissional Primeiro de Maio na Fazenda Grande do Retiro e na comunidade do Engenho Velho da Federação.

Lia Spósito realizou importantes trabalhos artísticos e sociais, participando efetivamente de projetos desenvolvidos no GEAFAGRA - Grupo Experimental de Artes da Fazenda Grande, entre as décadas de 70 e 80, dirigidos por Antônio Godi e coordenados por Padre Paulo - religioso e comunista italiano que desenvolveu uma ação socio-cultural e intelectual determinantes para a época e para a comunidade soteropolitana, instituindo um grupo de ação política clandestina contrário aos dogmas repressivos da ditadura militar. No Grupo de Teatro Palmares Iñaron, Lia, juntamente com Godi, têm uma participação fundamental, desde a constituição do grupo até a realização de espetáculos determinantes, a saber: Estórias Brasileiras (1977), Usura Corporation (1978) e Oxim O Iauretê (1985).

Como diretora teatral, Lia Spósito desenvolveu a adaptação e montagem da obra Macunaíma de Mário de Andrade em 1988 no Teatro Santo Antônio (atual Teatro Martins Gonçalves) interpretada pelo ator baiano Rai Alves e grande elenco. Ainda, dirigiu e escreveu o texto da peça Cangaço (1979), esta que atingiu sucesso de público e crítica no Teatro Santo Antônio, entre outras tantas experiencias teatrais determinantes. A trajetória de Lia Spósito é vasta e grandiosa, baseada numa ação étnico-social determinante para o nosso povo e o nosso tempo. Na direção do espetáculo IAURETÊ - este que marca a comemoração dos 33 anos do Grupo de Teatro Palmares Iñaron, Lia Spósito conduz o  cruzamento de um estudo antropológico e uma pesquisa estético-teatral que reflete o compromisso em revelar o caráter plural que constitui o povo brasileiro baseado nas histórias atuais e ancestrais das comunidades indígenas do Brasil.

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